Lote 34, 3º Esq.
Vivemos numa época em que os programas de informação tentam de tudo para conseguir recolher dados úteis para determinado artigo ou notícia. Quem de vós é que nunca se partiu a rir com algumas perguntas ou atitudes completamente inconvenientes de certos e determinados jornalistas, que acabam por, em prol do seu nem sempre cómodo trabalho, fazer as mais tristes e cómicas figuras? Mas a falta de coerência é um problema muito mais abrangente, estendo-se a outros campos e áreas… Aqui no lote 34 a falta de coerência é bem visível. Ou deixem-me contar um episódio que por aqui se passou…
O 3º Esquerdo do lote 34 é habitado por nós os três. Três rapazes na casa dos 20 anos, despreocupados, revoltados e muitas vezes desmazelados. Actualmente vivemos uma crise de preguicite aguda, o que nos leva a viver, por vezes, em condições bastante deploráveis. Estão a ver o cenário?
Certo dia decidimos fazer o primeiro bolo cá da casa. Trouxe uma receita e os ingredientes necessários da Nazaré e pusemos mãos à obra. Imaginem então qual foi o nosso desagrado quando nos apercebemos que não tínhamos nenhuma colher de pau nem nenhuma bacia, ferramentas essenciais para a criação da nossa obra de arte culinária. Como génios que somos não deixámos que tal obstáculo nos prejudicasse e arranjámos rapidamente uma solução: fomos pedir uma colher de pau emprestada às vizinhas do 1º esquerdo, e, para batermos as claras em castelo usamos um tacho de alumínio. O resultado foi um delicioso bolo de iogurte com as claras mais cinzentas que alguma vez vi na vida, e duvido que algum dia venha a ver novamente algo assim. Como pessoas simpáticas que somos, rapidamente devolvemos a colher de pau às vizinhas, e com ela deixámos uma parte do bolo que sem a ajuda delas tinha sido impossível ser cozinhado. Como cortesia, deixámos também bem claro que, se precisassem de alguma coisa lá de casa, não hesitassem e tocassem à campainha.
Bem dito, bem feito. Acabámos de jantar e ouvimos o toque da campainha. E das duas uma, ou as (pouco) claras tinham deixado alguém gravemente doente, ou elas precisavam mesmo de alguma coisa… E sim, precisavam de um termómetro. Sim, leste bem, elas tocaram à campainha do fim do Mundo em busca dum termómetro. Não lembra ao diabo ir uma residência de três estudantes do sexo masculino em busca de tal objecto. Porque é que não nos pediram antes um penso higiénico? Ou mesmo um estetoscópio?
Foi rir, rir e rir até não poder mais. Ainda hoje, já lá vão uns 4 meses, ainda não encontrámos nenhuma explicação minimamente lógica para este episódio tão… pouco coerente! É que não, nenhuma delas estava doente, já que à noite estavam todas a curti-la no recinto da Recepção ao Caloiro.
Haja coerência… Tenho dito!
R.F.