...ao passar da porta da rua para o corredor, foi como se tivesse atravesado o espelho para o país das maravilhas...tens curiosidade...então desce pela toca do coelho...até ao outro lado da realidade...
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quinta-feira, janeiro 20, 2005

O Saco de Pão

É do conhecimento geral que a vida dos estudantes universitários nem sempre é de completa dedicação. É também do senso comum que muitas vezes existe ligação entre determinados comportamentos do estudantes e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas. Pois bem, foi o caso!

A discoteca "Álibi" foi o destino escolhido para mais uma noite de farra e inconsciência e é certo que quando de lá saímos a nossa realidade já estava bastante alterada. Éramos 4: eu, o João, o Mário e o Padrinho. Não era o da Máfia, era o dos Rangers, essa cobiçada divisão do exército português. Em nome da gentileza e do cavalheirismo, deixámos a Cláudia em casa para depois seguirmos o longo caminho que separa o Orfeão da nossa casa. Como corta-mato escolhemos o bairro dos Capuchos. E foi aqui que demos o golpe. À porta do mini mercado dos Capuchos estava algo que, àquela hora (deviam ser umas 5h da madrugada), foi para nós um verdadeiro milagre que deixou os meus olhos e os do João a brilhar de tão bondoso que era. Um recheado saco de pão fresco de todos os tipos: normal, de mistura, caseiro… cerca de 50 pães que iam em breve ser o nosso regalo.

Chamei o João que nem pensou duas vezes antes de me ajudar a carregar o saco de papelão. Já o Mário e o Padrinho continuaram o seu caminho, como se não nos conhecessem de lado nenhum, por termos realizado tal manobra cujos possíveis resultados e contratempos não lhes interessavam.

Foi já no calor da nossa humilde casa que desfrutamos ao máximo de tal achado e que ouvimos uma declaração que tão depressa não vai sair dos nossos corações e que nos deixou para sempre arrependidos (ou não!) de termos cometido este crime: "Andei eu a combater isto por tanto tempo…".

Certo é que os pãezinhos estavam uma delícia para todos. Até para quem combate o crime e tudo o que possa pôr em causa o rumo normal das coisas. Mas será que queremos mesmo que as coisas tenham um rumo normal? Será que nos queríamos ir deitar de barriga vazia?


R.F.


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